Depois de tantas idas e vindas, quem diria, você veio pra ficar. Depois de tantas crises, confusões, términos e recomeços, restou finalmente nós dois e o amor. Nunca pensei que a gente pudesse ser tão feliz, cheguei a desacreditar da ideia de sermos finalmente nós. Então a gente deve só confiar e continuar sendo assim, absurdamente feliz, eu sei. Mas aí eu me pego te abraçando forte, com medo de soltar e te perder. Que bobagem, não é mesmo? Vai dar tudo certo, tem que dar, já deu. Sem paranoia e bloqueios, sou tua por inteiro, somos um só e então eu te dou um beijo aliviado e te solto. E você não vai embora, só deita no meu colo e continua em mim, como quem diz “Deixa de ser boba, não vê que sou teu?”. Eu sorrio, em paz. Quem bom que aprendemos a ficar, a gostar, se entregar. Que bom que confiamos, acreditamos, tentamos. E se alguma coisa começar a desandar, só segura minha mão e tudo vai ficar bem. Não posso te perder por medo de te perder, seria loucura. Então eu repito pra mim mesma: Que bom que agora eu tenho você de verdade e me basta a loucura de te amar.
Queria dizer que eu conheci homens fiéis. Já conheci românticos, sonhadores, homens que se doaram muito mais na relação. Vi homem chorar por mulheres que nunca mereceram, vi a mulherada vacilando feio, iludindo, brincando com quem não merecia. Já vacilei também, nunca fiz as coisas por mal, mas já fiz mal, ainda que sem querer. O ser humano é egoísta, independente de sexo. Pessoas usando pessoas, relações sem nenhum laço. Eu já vi homens que ignoravam as investidas de meninas lindas, por amor. Eu vi, ninguém me contou. Canso de ouvir que sou uma feminista barata, mas eu passo longe disso. Sou justa. Admiro mulheres e homens, desde que saibam se portar como mulheres e homens. Odeio hipocrisia, covardia, submissão. Odeio quem ouve um idiota falar alguma besteira na padaria, acha legal e sai repetindo isso com toda a certeza de que é uma verdade absoluta. Não defendo um sexo, defendo o amor, valores. Me dói demais ver mulheres incríveis aturando um cara grosso e idiota, que não dá a mínima pra ela, só porque ela precisar estar junto a alguém. Queria que, de alguma forma, todas entendessem que felicidade não é ser dois, é ser. Queria que todas se vissem como eu as vejo, que todas entendessem o quão são especiais e agissem de acordo com isso, pensassem que alguém estar com elas não é um favor, é sorte. Também me dói ver homens sensacionais desacreditando com facilidade da ideia de ser feliz com alguém, só porque tentou com um alguém muito errado e teve o efeito contrário. Escrevo porque, apesar dos dias difíceis, quase impossíveis, eu acho que ninguém merece viver de portas fechadas, se afundando em si mesmo e em mágoas passadas. Mulheres culpando e criticando os homens, os homens culpando e criticando as mulheres, todo mundo se fechando pra não sofrer e o amor ficando sem espaço pra entrar. Porque se fechar é uma opção, mas você se fecha pra dor e pra felicidade também, isso é uma consequência.
O mundo não acabou, mas eu senti o fim de um grande ciclo da minha vida. Eu sou apaixonada por essa época, ano novo, renovação, mais 365 dias pra fazer tanta coisa acontecer, tentar de novo, tentar melhor. Não peço, só agradeço. Mas posso sentir, em cada poro do meu corpo, que esse ano será o melhor da minha vida, pelo menos até agora. Talvez porque eu seja muito melhor do que nos outros anos, saiba mais o que eu quero. Me imponho bem mais. Quem sabe porque eu, finalmente, me livrei de alguns pesos, desencanei dessa história de apego, tô gostando mais de mim. Aceitando mais a mim e respeitando os meus espaços, limites, loucuras. Sempre respeitei e entendi todos os surtos do outro, agora é a minha vez. Não posso obrigar ninguém a me aturar, me amar, ficar do meu lado. Mas o que eu posso menos ainda é mudar pra me encaixar na idealização de alguém tão torto quanto eu. Adaptação é necessário, mudanças são bem vindas quando a gente muda pra gente. Se anular ou se deixar de lado é o maior erro que alguém pode cometer e eu já errei demais. Tô de peito aberto, cabeça erguida, pé atrás. Acredito num ano de realizações, muito amor e sucesso, não por ter fé em 2013, mas por ter fé em mim. E esse ano, entre tantas lições, crises, lágrimas de dor e felicidade, me ensinou isso: Ser mais eu, ser completamente eu, transbordando mesmo, intensa mesmo e fica quem quer. Vai embora quem tem que ir. Vida que segue e, com toda certeza do mundo, aconteça o que acontecer, eu sobrevivo. Eu evoluo. Amadureço. Eu esqueço, mas aposto um doce que muita gente que me deixou escorrer pelas mãos, nunca vai esquecer de mim.
Por um tempo eu tentei convencer o mundo e a mim mesma, que eu era a menina de decote, maquiagem carregada e risada alta na fila do bar. Mas a verdade é que eu nunca fui. Acho incrível essa forma desapegada de dar sequência na vida, as piadas e histórias loucas e vazias. Mas nunca fui a menina do bar, uma pena. Pra ser sincera, eu tenho preguiça das outras pessoas da fila, dos meninos na porta do banheiro, das músicas sem letra, das cantadas baratas. Não conseguiria ser essa menina, embora ache um jeito bem mais simples de encarar o mundo, porque isso tudo me dá sono, mesmo entupida de energético. Porque antes do fim da noite eu já tô sentada, brincando com o canudo do drink, esperando a hora de ir embora. A impressão que eu tenho é que eu tô sempre esperando a hora de ir embora, de qualquer lugar e qualquer pessoa. A menina da fila tá dançando com o terceiro ou quarto cara da noite. Ela é divertida e linda. E eu queria ser assim, só que as pessoas são tão desinteressantes e previsíveis, que eu prefiro o canudo. Levantei e fui ao banheiro, ela tava lá, retocando a maquiagem. Enquanto eu lavava as mãos, ela arrumava o salto e reclamou “Nossa, dói demais, né? Mulher sofre!”. Eu sorri e concordei. Doía mesmo, quem dera fosse só o salto. Olhando nós duas pelo espelho, uma do lado da outra, a diferença era só o modelo do vestido. Mas éramos muito mais diferentes que isso. Ela tinha paciência com os babacas, o barman lerdo, os amigos bêbados, as meninas de nariz em pé. Ela só queria dançar, beber e curtir, porque a vida é complicada. Eu já entrei cansada e preferia o sofá, o copo, o canudo e todas as coisas sem vida daquele lugar, porque as pessoas são complicadas. Antes eu fosse a menina do bar.
Eu enfrentei o mundo por você, pra ficar do seu lado, mas você nunca esteve realmente do meu. Hoje, depois da sua partida oficial, eu posso ver tudo isso e me arrependo de ter remado tanto sozinha. E em vão, morremos afogados. Você jogou a gente em alto mar e foi pra outro barco, sem nem se importar se eu sairia bem ou mal disso tudo. Nunca se importou, não é? Agora eu sei. Agora eu entendo cada conselho de tanta gente que sempre quis meu bem, que eu sempre joguei fora pra guardar você. Mas você nunca valeu meus esforços, meu amor, minha doação. Acho que já entrei no barco furado e devia ter te jogado pra fora antes que ficássemos pesados demais e tudo afundasse, mas eu escolhi remar. Escolhi você e nunca fui sua escolha. Mas tudo bem, queria te dizer que, graças a você, aprendi a nadar.Era questão de sobrevivência, eu tive que aprender. Hoje sou melhor e você? Vai ser sempre o peso dos barcos, que triste. Não te desejo o mal, porque sua vida já é vazia demais e não tem mal pior que esse, alguém que não sabe viver. Alguém que não sabe dar e ter valor. Desejo que, um dia, você entenda o que é amor.